Objetivo

O Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre é um projeto que busca visibilizar a comunidade afrobrasileira com a construção de obras de arte em espaços públicos da cidade.


Formação

O desenvolvolvimento partiu das reivindicações da comunidade negra local, onde sua falta de representatividade no patrimônio cultural remete à invisibilidade social desta parcela da população. O projeto estabelece visualização e fruição de espaços marcantes para a etnia negra do ponto de vista da memória, da identidade e da cidadania, gerando percursos através da construção de obras públicas que referendem a passagem dos ancestrais por lugares territorializados pela comunidade negra na cidade de Porto Alegre. 



Execução

O projeto se constitui através da colaboração de diversas entidades do movimento negro, reunidas pelo Centro de Referência Afro-brasileiro. A primeira etapa do Museu de Percurso do Negro, concluída no ano de 2011, foi realizada por diversas entidades, sob a coordenação gestora do Grupo de Trabalho Angola Janga. O Museu faz parte do Programa Monumenta, do Ministério da Cultura (MinC), que é executado com recursos da União, de estados e de municípios, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e cooperação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da UNESCO. Com conceito inovador, busca a sustentabilidade dos sítios históricos, motivando seus usos econômico, cultural e social. São estimuladas atividades econômicas associadas aos centros históricos, fortalecendo as estruturas turísticas locais. Simultaneamente, o Monumenta incentiva municípios e estados a colaborarem na captação de novos financiamentos e a cultivarem na sociedade uma postura de zelo com os bens históricos e culturais.




O Percurso do Negro em Porto Alegre 

Evoca a presença, a memória, o protagonismo social e cultural dos africanos e descendentes no Centro Histórico da cidade de Porto Alegre, cuja pesquisa histórico-antropológica indicou os lugares vivenciados pelos negros, a fim de elaborar objetos de arte representativos, como no Cais do Porto e antigos Ancoradouros; no Largo da Quitanda (Praça da Alfândega); no Pelourinho (Igreja das Dores); no Largo da Forca (Praça Brigadeiro Sampaio) e Esquina do Zaire (Av. Borges de Medeiros com Rua da Praia). No entorno, a partir das redes de relações sociais dos negos cativos e livres, temos a Igreja da Nossa Senhora do Rosário, o Mercado Público e a Santa Casa de Misericórdia, a Colônia África e o Areal da Baronesa.

As Obras Públicas do Percurso do Negro

Obras de Arte no Espaço Público

O Projeto Monumenta reuniu um grupo de artistas para representar esteticamente os percursos sociais, históricos e culturais criados, mantidos e preservados pelos africanos e descendentes negros na cidade. Os artistas participam das oficinas sobre a História e a Arte Africana, a cultura negra, a arte afrobrasileira ou negro-brasileira, para criar propostas artísticas, a fim de expressar uma estética através de marcos representativos. Na primeira etapa do projeto, os artistas tiveram como embasamento a pesquisa histórico-antropológica, realizada pelo antropólogo Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Júnior, somada aos saberes artísticos de matriz africana acerca das raízes históricas e da ancestralidade religiosa afrobrasileira por parte do grupo de artistas. Inicialmente foram desenvolvidas diversas oficinas de criação para a elaboração de propostas de marcos representativos da cultura negra, em Porto Alegre. 



Tambor













Praça Brigadeiro Sampaio, Porto Alegre
Arte: Gutê, Leandro Machado, Elaine, Mattos, Pelópidas Thebano e Xaplin.
Material: concreto armado
Dimensões: 1,2 x 2,75m   
Ano: 2010 

Concebido coletivamente, nasceu dos debates entre artistas e griôs (guardiões da memória), acompanhados com expectativa pelo movimento negro. O tambor, por certo o único instrumento que tocado por um ou por muitos comunica a alma do todo, é amarelo porque Oxum assim o quis. Apresenta 12 figuras que repercutem a trajetória de um povo: dor, alegria, luta e perseverança.

Pedro Rubens Vargas 
 


Pegada Africana

























PEGADA AFRICANA
Arte: Vinicius Vieira
Local: Praça da Alfândega, Porto Alegre, Brasil.
Dimensões: 2 x 3m
Materiais: aço inoxidável + pedras
Ano: 2011

Projeto: Integra o Museu de Percurso do Negro. Demanda do CRAB, realizada com recursos do Monumenta/IPHAN e SMC, com apoio da UNESCO.



Inauguração da Pegada Africana . . . 



O Programa Monumenta / IPHAN, a Prefeitura de Porto Alegre - SMC e o Centro de Referência Afro-brasileiro (CRAB) inauguraram a obra pública Pegada Africana, concebida por Vinicius Vieira, no dia 14/11/2011, às 17:30h, na Praça da Alfândega, durante a 57 Feira do Livro de Porto Alegre.


Com méritos de nova inclusão, a manifestação
visível da “Pegada Africana” afirma a Praça
da Alfândega como um dos lugares de existência
do Museu de Percurso do Negro. Na praça, antigo
Largo das Quitandeiras, raízes históricas adquirem
nova visibilidade na forma de continente africano,
concebida a partir de uma linha formada por
sinuosos movimentos de matriz orgânica. 

Vinicius Vieira apresenta um desenho contemporâneo,
modelado em aço, que envolve e ressignifica as
pedras portuguesas do local, simbolizando a
concretização de políticas públicas que
resultaram da luta histórica por 
reconhecimento das culturas étnicas. 


Miriam Chagas